
Boa noite,
chamo-me Mário Dias e sou cronista.
Em abono da verdade estou desempregado, mas temo que se o disser, vexas apaguem de imediato o meu email visto eu ser uma prova viva do insucesso do governo quanto às politicas de emprego.
Por isso vos digo e sem mentir que sou cronista:
Os meus textos são amplamente elogiados e já foram inclusive objecto de estudos científicos pois ninguém compreende como posso eu ter tanta imaginação.
Como se isto não fosse suficientemente motivador nunca faço abordagens onde mencione o poder instalado (tenho amor à vida já que não posso ter amor à profissão) pelo que não resisti em escrever ao Jornal de Noticias a perguntar se me podem dar uma oportunidade como cronista.
Gostava de ficar com o espaço no jornal que tinham reservado para à crónica do Mário Crespo, mas se for um pouco mais para a direita (desde que dentro dos parâmetros do jornal) eu não me queixo...nem me demitirei.
Eu farto-me de escrever crónicas e para vexas terem uma noção dos valores e princípios que me regem, uma amiga minha (de nome Patrícia Couto) ouviu um membro do governo a chamar-me louco (a verdade é que eu também ouvi pois estava quase nu, ajoelhado, em frente a ele, a pedir-lhe 50 cêntimos ) e na minha crónica seguinte elogiei o orçamento de estado sem demonstrar qualquer recalcamento.
Garanto que não se arrependerão se me derem uma oportunidade pois o JN precisa de uma nova alma e eu preciso de um emprego...
Certo que esta missiva merecerá de vexas a maior atenção e na esperança que respondam a este leitor assíduo, despeço-me com elevada consideração.
Mário Dias

Prezado Mário Dias,
Folgo por vê-lo a lutar pela vida, resistindo às cargas de pancadaria que esta em si assenta, como ainda recentemente sucedeu com o trágico óbito do hamster Ismael. Não cabe a mim responder à sua pretensão, pelo que tomarei a liberdade de reencaminhar esta sua sentida mensagem para os responsáveis editoriais de todas as publicações periódicas portuguesas, do Diário da República ao almanaque Borda d'Água. É um favor que lhe faço, mas, em respeito pela precária condição laboral que nos apresenta, não espero que mo pague. Entenda que, nestes tempos de míngua, é possível que as publicações tradicionais recusem, com maior ou menor polidez, a proposta que apresenta, mas não deverá esmorecer. Todos dispomos, hoje, no espaço sem fim que é a Internet, de lugares onde publicar o que nos passa pela alma, sem qualquer custo e com a perspectiva de angariar assinalável popularidade. Deixo-lhe o exemplo de um espaço de liberdade, para que consulte e, eventualmente, envie para lá a sua proposta: http://maildeumlouco.blogspot.com.
O endereço de e-mail está disponível na página.
Com o testemunho vivo do nosso apreço e a firme palavra da nossa admiração, sou
"Felizardo Bonifácio"







