10/05/2010

122:5 perguntas a MARAR


1: Rodrigo Dias peço que te apresentes, não deixando de referir o facto que não somos família, apesar do "Dias" e da aparente falta de lucidez que nos caracteriza.
Olá Mário. Não tenho a certeza que não sejamos família, mas compreendo que não te queiras ver associado a um comum desconhecido como eu. Se me chamasse Cameron Diaz, provavelmente não referias esse facto e eu não teria de me apresentar.
Tenho 29 anos, sou casado com a Carla, tenho um filho Leonardo e uma filha Sofia, já escrevi um livro e plantei uma árvore. Tendo terminado nesse momento a minha vida e porque não tenho clube de futebol para me entreter, decidi fazer cenas. Cenas são um estilo de birras, porque não consigo mudar a sociedade. Juntei um grupo de amigos e criámos uma empresa de nome Marar. Agora sou sócio-gerente que é o sonho de qualquer adolescente.

2:A MARAR actua maioritariamente em Lisboa e informa que se preocupa com o dia a dia das pessoas e com o bem-estar destas, tentando fazer de Portugal um lugar melhor. Fazem em certa medida lembrar os Deputados. É por isso que se designam por MARAR - "Movimento dos Amigos que Roubam na Assembleia da República"?
Um dos projectos que temos guardado no caldeirão das ideias fervilhantes é o de organizarmos um comício com conteúdo em branco. Nesse comício onde se distribuiriam panfletos em branco, se empunhariam faixas em branco, o líder subiria ao palco e falaria sobre nada. Penso que o acarinhar deste projecto é o nosso momento mais próximo dos nossos Exmos. Deputados, por quem nutro o maior respeito. Marar na verdade não é uma sigla, mas sim o verbo do adjectivo marado. Para nós significa Loucura Saudável.Talvez um dia também signifique para o resto das pessoas.

3:Disse-me fonte segura que foste uma das almas que trouxe a luta de almofadas para Lisboa. É certo que foi uma actividade sem fins lucrativos mas não resisto a perguntar-te se na base da ideia esteve o mesmo evento que acontecera já noutros países ou o facto da tua família ter uma fábrica de almofadas nos arredores da capital?
Nós chamámos-lhe Almofadada. Eu estudei no Colégio Militar, do qual sou grande fã, e nós todos os anos organizávamos almofadadas entre camaratas. Eram batalhas épicas entre grupos de mais de 60 miúdos. Todos os anos ansiávamos pela almofadada. Eu confesso que foi um momento nostálgico. E é a tua família que tem uma fábrica nos arredores da capital, mas eu preferia não falar sobre isso.

4: Lutas de almofadas, eventos no metro da cidade, zombies a andar por Lisboa, homens e mulheres estátua espalhados pela avenida, manifestação pelos ideais da extrema direita...qual o evento que vos deu mais gosto organizar e a melhor história que tens para contar desse mesmo evento?
O desafio que lançámos no Metro - Escolhe como queres começar o teu dia? - foi o meu preferido. Durante as duas horas que estivemos em missão passou-nos a humanidade pelos olhos: os indiferentes,os que fingem que são indiferentes, os envergonhados, os desenvergonhados, os surpreendidos, os fascinados, os Chico-espertos que nos vieram explicar como é que devíamos fazer, os amorosos, os abraçadeiros e até uma mulher-de-armas que enfiou um estalo no namorado porque ele disse alto e a bom som que queria começar o dia com uma das nossas colaboradoras.
Já agora , nós nunca realizámos uma manifestação pelos ideais da extrema direita. Deves estar a confundir com a manifestação do sindicato dos trabalhadores da fábrica da tua família, que está contra a vossa política de contratação de estrangeiros.

5: Agradecido pelo facto de não me teres furtado os gravadores face à pequena provocação da pergunta anterior, gostava que explicasses às pessoas o próximo evento da MARAR: Prédios que falam, e que as informes se prédios com mais de 30 anos, que pela fachada que têm já é uma sorte estarem de pé quanto mais falar, também podem participar.
Eu sei que essa é uma questão que te preocupa e eu volto-te a garantir, agora em público, que sim o teu prédio também pode participar.
O nosso próximo projecto, que vai na sua segunda edição, lança um desafio às pessoas que vivem em prédios: Yes we can melhorar a qualidade das relações entre vizinhos de um prédio. A iniciativa Prédios Que Falam vai transformar o vosso prédio num ambiente de partilha e amizade, quase ao estilo dos sixties :) .
Se não tens a certeza de quem são os teus vizinhos, o expoente das vossas conversas é Bom dia e Boa tarde e dói-te a barriga quando vais para as reuniões de condóminos, então esta iniciativa é para ti.
Vão a http://prediosquefalam.marar.eu e inscrevam-se.
Como eu te dizia no início da entrevista. Não é fácil mudar a sociedade por isso fazemos estas cenas, estilo birras, só para a irritar.
Obrigado Mário e boa sorte com o sindicato.

4 comentários:

  1. Gosto de vir aqui, do jeito diferente e original que escreve.

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  2. Gostei!! :))

    Mas gostava que tivessem esmiuçado mais o projecto dos Prédio que Falam.

    Achei o projecto muito criativo, mas não sei se será viável em todos os casos, por diversos motivos.

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