23/04/2008

3:A CRIANÇA ESPECIAL por jPanda

Exmo Sr Director ( a ) do Externato ABC,
Eu, Mario Dias, sou pai. E, como tal, tenho a minha existência condicionada pela existência dos meus filhos.E amo isso.Escrevo estas palavras porque quero o melhor para eles. Graças a Deus e ao suor do meu trabalho e da minha mulher, vivo economicamente bem.Logo,quero dar uma educação exemplar e completa aos meus descendentes.Especificando: desejo inscrevê-los em nessa instituição, da qual tão
elogiosas informações recebo. Ambos ainda não completaram seis anos de idade. O mais novo, o Paulo, de 4 anos, é em tudo um rapaz normal e de simples cuidados. Porém, o mais velho, o Miguel, de 5 anos de idade, é uma criança especial: o Miguel, para além da hiperactividade extrema, tem uma doença ( não contagiosa, de acordo com os médicos e com a Ciência ) denominada “compulsividade anostática”. Eu e a minha mulher perguntamos: será que esse organismo de formação pedagógica tem capacidade e competência o bastante para fazer do Miguel um futuro jovem cheio de recursos intelectuais e de uma convivência salutar, um jovem integrado na sociedade e no seu “grupo de amigos”: um jovem único na sua raridade idiossincrática, e ao mesmo tempo aceite e sobretudo querido de todos ?...
Ora, para que tal aconteça, seria necessário, primeiramente, julgo, uma entrevista com a vossa psicóloga, tendo em vista esclarecimentos importantes relativos à hiperactividade do Miguel, e sobretudo à "compulsividade anostática", a que já fiz referência. É que não posso deixar desde já de explicitar o seguinte acerca do Miguel: 1º- a hiperactividade extrema exterioriza-se numa forma repetitiva ( segundo os médicos ), desenhar, rabiscar, pintar, não importando o momento ou o contexto ( se lhe negam a pintura ou o desenho, ele fica perturbado e agressivo ): o médico disse que ele tem um "drive" criativo muito forte para a idade, e muito descontrolado; 2º- o Miguel vive "agarrado" a uma prenda que a sua madrinha de baptismo lhe ofereceu: um conjunto de objectos: uma moeda azul, um clip, uma bola de borracha, um lápis de cor azul e uma tesoura verde. Estes cinco objectos estão sempre com ele. O apego do Miguel a eles deve-se a uma compulsividade oriunda do foro emotivo / emocional da sua mente. Os médicos dizem que só a partir da adolescência é que será aconselhável tentar forçar o seu abandono: até lá, o Miguel pode ser alvo dum sofrimento insuportável se os perder ou se alguém lhos quiser tirar.
Aguardando resposta o mais breve possível,
Atenciosamente,
Mario Dias

Exm Senhor
Mario Dias
Para si e seus os nossos votos de bem-estar.
Respondo, reportando-me ao seu email.
Em primeiro lugar, saúdo-vos como pais, desejando, convosco, o melhor
bem-estar para os que vos são mais queridos, o Paulo e Miguel. Recebi o
vosso email e respondo ao pedido nele expresso. Aqui, começamos a receber crianças aos três anos, construindo grupos com essa idade, transitando estes, posteriormente, formando os grupos ou turmas dos anos seguintes.Habitualmente, aumentamos o número de turmas apenas no segundo ciclo (5º ano). Assim, neste momento, não dispomos de vagas para entradas no Pré-escolar ou 1º Ciclo, pois as matrículas para a faixa etária dos três anos do próximo ano escolar já foram realizadas e os grupos
constituídos. Aconselhamos, porém, para o vosso Miguel, uma instituição que tenha pessoal habituado a lidar (com preparação específica)com este género de criança. Se
tivéssemos vaga, e recebêssemos o vosso filho, faríamos parceria com instituições vocacionadas para este tipo de comportamento infantil.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Lisboa, 21 de Abril de 2008
André Nunes

Bom dia, Sr. André Nunes
Desde já expresso o que senti ao finalizar de ler o seu e-mail : tristeza; e vergonha de ser da espécie humana. A dita "luz", que todos os dias fica acesa no quarto do Miguel, para ele conseguir dormir, afinal também tem contornos menos luminosos... Então fariam parceria com instituições para acompanharem o Miguel...Desde já estou curiosa para saber quais seriam... Um colégio é o quê, afinal ?... Têm medo de uma criança de 5 anos, que apenas é algo diferente das demais? Por ser mais activo, criativo, agressivo, e compulsivo, será o Miguel uma entidade viva que precise de outras "instituições vocacionadas...".... Então o que anda o Miguel a fazer nos Médicos??? Não toma ele já ansiolíticos infantis?? Não tem já um terapeuta que lhe molda a agressividade e a compulsividade extremas??? Ora: é a uma escola / colégio que se pede o resto... E aos pais, claro. Não é a "família" uma instituição???? Eu e o meu marido somos de porcelana??? Quem é que se levanta às 2h e 3h da manhã para aconchegar a bola de borracha e a tesoura ao peito do Miguel para ele adormecer tranquilo??? Ou quem vai a correr buscar um lápis de cor e marcadores quando ele precisa compulsivamente disso???
É pena: é pena que este país viva assim... Já não se confia na classe médica; já não se confia na "família".... E a escola não basta.... No mínimo, dá que criticar...
Com os melhores cumprimentos,
Mario Dias
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4 comentários:

  1. Mas olha lá, que ideia perdgrina é essa de querer por uma criança especial no colégio da LUZ....ele lá nem futebol sabem jogar, quanto mais ensinar o que quer que seja.
    A mudar pneus talvez....

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  2. Ora bem...concordo plenamente com a indignação desta mãe. Sou mulher e sei o que custa ver um filho assim renegado!!! Afinal, desde a declaração de Salamanca (1994),sobre os principios, politicas e praticas na área das necessidades educativas especiais, que "aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola
    regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança,capaz de satisfazer a tais necessidades". Estamos na era da Escola Inclusiva, ou estaremos a remontar à era da Segregação. FORÇA AMIGA!

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  3. LOLOLOLOLOLOLOLOLOL

    Ainda há malta que ACREDITA em ti!!! AHAHAHAHAHAHAHHA

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  4. De morrer a rir!! "extrema agressividade" LOOOOOOLLLL!!

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